Casa Sabiá

Dicas e divagações, toques e considerações sobre música, cinema, literatura, entretenimento, gastronomia, comportamento ou qualquer coisa que se aproxime disso...

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008, 01

01.06.08

O tempo não pára, nem intimida Ney Matogrosso

Saiu em DVD o show "Inclassificáveis", de Ney Matogrosso. Vale a pena ser visto e revisto. É uma produção impecável, dos figurinos meio deus inca, meio homem espacial, meio homem-cobra, aos cenários suntuosos, a luminação criada pelo próprio cantor, a superbanda, o repertório de primeira, os excelentes arranjos (com um peso rock´n´roll). Mas o mais surpreendente é imaginar que por trás e à frente de tudo aquilo está um homem de mais de 60 anos, superexposto no palco, dando, à sua maneira, o testemunho do que é envelhecer em meio às contrdições e ao caos em que vivemos. A superprodução não ofusca o próprio Ney Matogrosso, que faz de "Inclassificáveis" uma exaltação à maturidade com o fôlego de um jovem.

A classe operária e a ilusão do paraíso

"Falsa Loura", o filme de Carlos Reichenbach que estreou sexta-feira passada aqui em Brasília, é surpreendente. Começa como uma novelinha tola sobre garotas de periferia às voltas com seus ídolos, aparência, namoricos e festas de fim de semana; percorre um caminho que a gente não sabe bem aonde vai levar e chega a um desfecho de impacto. Aí descobre-se que o caminho meio torto tomado por Reichenbach é, na verdade, uma forma original de abordar a relação de classes - uma classe operária iludida por sonhos burgueses e uma burguesia que acredita que poder e dinherio descartam a necessidade de ética. No bom elenco, Rosane Mullholand leva com segurança a função de protagonista,  o canastrão Maurício Mattar cai como uma luva no papel de ídolo popular (ou papel de si mesmo) e até Suzane Alves (a ex-Tiazinha) dá bem o recado.