Casa Sabiá

Dicas e divagações, toques e considerações sobre música, cinema, literatura, entretenimento, gastronomia, comportamento ou qualquer coisa que se aproxime disso...

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Terra Blog

24.06.08

Vitor Ramil é de música e letra

Vitor Ramil é uma grande compositor. Suas músicas têm uma elegância... São também intensas, poéticas... As letras são inteligentemente construídas, sem que isso exclua a emoção. Todas essas qualidades podem também ser percebidas em seu trabalho de escritor. Basta ler alguns trechos de "Satolep", o livro que ele acabou de lançar pela Cosac & Naify, para que se perceba isso. Em trechos curtos, como se fossem cenas em que a ação se dá muito mais no interior do narrador, Ramil vai traçando a relação de um homem com uma cidade com a qual ele se confunde. Um tanto melancólico, mas bonito.

23.06.08

No tabuleiro da baiana também tem samba

Há três anos, a percussionista Lan Lan, a cantora Emanuelle (ex-Banda Eva) e o guitarrista Tony Costa (ex-banda de Caetano Veloso) formaram um grupo, despretensiosamente, para tocar samba baiano em um teatro no reduto do samba no Rio, a Lapa. Fizeram tanto sucesso, que até hoje tocam regularmente no local, com participação de músicos amigos. Além disso, o Moinho da Bahia (nome tirado de uma música de Dorival Caymmi) foi convidado para gravar um CD pela EMI. "Hoje à Noite" é o nome do disco, que mistura diferentes gerações da música baiana (de Riachão e Caymmi a Moraes Moreira e Márcio Mello). Mas não é um disco de samba tradicional. Tem uma deliciosa levada pop, é cheio de balanço. Espécie de disco-festa, que convida a gente o tempo todo para se levantar da cadeira e cair no suíngue. Bom demais!

01.06.08

O tempo não pára, nem intimida Ney Matogrosso

Saiu em DVD o show "Inclassificáveis", de Ney Matogrosso. Vale a pena ser visto e revisto. É uma produção impecável, dos figurinos meio deus inca, meio homem espacial, meio homem-cobra, aos cenários suntuosos, a luminação criada pelo próprio cantor, a superbanda, o repertório de primeira, os excelentes arranjos (com um peso rock´n´roll). Mas o mais surpreendente é imaginar que por trás e à frente de tudo aquilo está um homem de mais de 60 anos, superexposto no palco, dando, à sua maneira, o testemunho do que é envelhecer em meio às contrdições e ao caos em que vivemos. A superprodução não ofusca o próprio Ney Matogrosso, que faz de "Inclassificáveis" uma exaltação à maturidade com o fôlego de um jovem.

A classe operária e a ilusão do paraíso

"Falsa Loura", o filme de Carlos Reichenbach que estreou sexta-feira passada aqui em Brasília, é surpreendente. Começa como uma novelinha tola sobre garotas de periferia às voltas com seus ídolos, aparência, namoricos e festas de fim de semana; percorre um caminho que a gente não sabe bem aonde vai levar e chega a um desfecho de impacto. Aí descobre-se que o caminho meio torto tomado por Reichenbach é, na verdade, uma forma original de abordar a relação de classes - uma classe operária iludida por sonhos burgueses e uma burguesia que acredita que poder e dinherio descartam a necessidade de ética. No bom elenco, Rosane Mullholand leva com segurança a função de protagonista,  o canastrão Maurício Mattar cai como uma luva no papel de ídolo popular (ou papel de si mesmo) e até Suzane Alves (a ex-Tiazinha) dá bem o recado.

28.05.08

Aventuras de 007 e histórias de García Marquez

O que há em comum entre os filmes de 007 e os livros de Gabriel García Márquez? Guardadas as devidas proporções, ambos transitam no campo fértil da imaginação. A comparação me vem porque, nestes dias, lendo “Cem Anos de Solidão” e vendo uma série de filmes de James Bond (depois de adquirir duas caixas com cinco títulos cada um), maravilhado com ambos, me dou conta do quão fantástico é esse poder de inventar histórias, desafiar as possibilidades reais. Não tenho dúvidas: o que se imagina é tão importante quanto o que se vive.