01.06.08
A classe operária e a ilusão do paraíso
"Falsa Loura", o filme de Carlos Reichenbach que estreou sexta-feira passada aqui em Brasília, é surpreendente. Começa como uma novelinha tola sobre garotas de periferia às voltas com seus ídolos, aparência, namoricos e festas de fim de semana; percorre um caminho que a gente não sabe bem aonde vai levar e chega a um desfecho de impacto. Aí descobre-se que o caminho meio torto tomado por Reichenbach é, na verdade, uma forma original de abordar a relação de classes - uma classe operária iludida por sonhos burgueses e uma burguesia que acredita que poder e dinherio descartam a necessidade de ética. No bom elenco, Rosane Mullholand leva com segurança a função de protagonista, o canastrão Maurício Mattar cai como uma luva no papel de ídolo popular (ou papel de si mesmo) e até Suzane Alves (a ex-Tiazinha) dá bem o recado.